Topo

Topo

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Artigo

A nova fase do Varejo
Por: Roque Pellizzaro Jr.*

A convivência com juros altos, geração de empregos em nível moderado, incertezas sobre a crise internacional, inadimplência em crescimento e acomodação do consumo por parte das classes emergentes teve impacto em 2011 que fechou sem o crescimento projetado no início do ano.

As vendas nos últimos meses, assim como as vendas do Natal mostraram claramente que teremos mudanças na economia brasileira. Os números de crescimento a taxas chinesas vistos nos últimos anos não deverão ocorrer, porém o setor ainda deverá ser o de melhor desempenho no Brasil.

Já nos primeiros meses do ano teremos a injeção de R$ 47 bilhões na economia oriundos do reajuste do salario mínimo, recursos que serão carreados para o consumo. Todavia, a grande mudança está no perfil do consumo que já vê a demanda reprimida que existia na "nova classe C" relativamente satisfeita, assim como o amadurecimento de nosso mercado. O varejo devera sofrer mudanças em sua atividade para se adequar a esta nova fase. Em cima desta realidade, as redes varejistas nacionais já reestruturam seus planos de expansão de PDVs (pontos de venda), assim como o mix de seus produtos, tendência que deverá se generalizar ao longo de 2012.

O maior desafio para 2012 deverá ser a manutenção no nível de emprego do país, hoje a coluna que sustenta a economia nacional através do consumo das famílias.

Para o ano, o crescimento do PIB não deverá ser superior a 3,5%. Os números dos dois últimos trimestres, associados a instabilidade nos mercados internacionais e a tendência de acomodação do consumo interno sinalizam para um crescimento discreto do PIB brasileiro.

O BC (Banco Central) deverá manter sua política de redução na taxa básica de juros, chegando a taxas de juros reais de 5% (taxa de juros descontada a inflação). A preocupação com a inflação estará no centro das atenções do BC, mas a redução na atividade econômica também. Devemos ter uma inflação menor que a apresentada neste ano, contudo acima do centro da meta, uma vez que o BC não poderá atuar com uma política de juros altos sob pena de paralisação econômica no Brasil.
* Roque Pellizzaro Junior
Presidente da CNDL

Nenhum comentário: