A nova fase do Varejo
Por: Roque Pellizzaro Jr.*
A convivência com juros altos, geração de
empregos em nível moderado, incertezas sobre a crise internacional,
inadimplência em crescimento e acomodação do consumo por parte das classes
emergentes teve impacto em 2011 que fechou sem o crescimento projetado no início
do ano.
As vendas nos últimos meses, assim como as vendas do Natal
mostraram claramente que teremos mudanças na economia brasileira. Os números de
crescimento a taxas chinesas vistos nos últimos anos não deverão ocorrer, porém
o setor ainda deverá ser o de melhor desempenho no Brasil.
Já nos
primeiros meses do ano teremos a injeção de R$ 47 bilhões na economia oriundos
do reajuste do salario mínimo, recursos que serão carreados para o consumo.
Todavia, a grande mudança está no perfil do consumo que já vê a demanda
reprimida que existia na "nova classe C" relativamente satisfeita, assim como o
amadurecimento de nosso mercado. O varejo devera sofrer mudanças em sua
atividade para se adequar a esta nova fase. Em cima desta realidade, as redes
varejistas nacionais já reestruturam seus planos de expansão de PDVs (pontos de
venda), assim como o mix de seus produtos, tendência que deverá se generalizar
ao longo de 2012.
O maior desafio para 2012 deverá ser a manutenção no
nível de emprego do país, hoje a coluna que sustenta a economia nacional através
do consumo das famílias.
Para o ano, o crescimento do PIB não deverá ser
superior a 3,5%. Os números dos dois últimos trimestres, associados a
instabilidade nos mercados internacionais e a tendência de acomodação do consumo
interno sinalizam para um crescimento discreto do PIB brasileiro.
O BC
(Banco Central) deverá manter sua política de redução na taxa básica de juros,
chegando a taxas de juros reais de 5% (taxa de juros descontada a inflação). A
preocupação com a inflação estará no centro das atenções do BC, mas a redução na
atividade econômica também. Devemos ter uma inflação menor que a apresentada
neste ano, contudo acima do centro da meta, uma vez que o BC não poderá atuar
com uma política de juros altos sob pena de paralisação econômica no
Brasil.
* Roque Pellizzaro Junior
Presidente da
CNDL

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