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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Artigo

O varejo de Santa Cruz do Capibaribe
Por: Josias Albuquerque*

Toda empresa tem que estar preparada para a adversidade. Faz parte de qualquer trajetória, mesmo das mais bem sucedidas, enfrentar períodos nos quais as dificuldades parecem se empilhar, formando barreiras que quase impedem a visão do futuro. Uma forma particularmente grave de adversidade são as insuspeitadas, aquelas que sequer são cogitadas quando se tenta descortinar o futuro, suas ameaças e oportunidades.

Infelizmente, foram desse tipo as adversidades recentemente enfrentadas pelo Polo de Confecções de Santa Cruz do Capibaribe, quando se preparava para as vendas de fim de ano, que para quase 90% dos empreendedores locais é o principal período de vendas do ano. Santa Cruz do Capibaribe possui um varejo de composição muito particular. Uma parte é constituída por seu comércio tradicional, do qual mais de 95% dos clientes são os habitantes locais. O diferencial vem da existência do Moda Center, um centro comercial privado, com 9.626 boxes, que desde 2005 abriga principalmente vendedores de artigos de vestuário e atrai compradores de todo o Brasil, algumas vezes até do exterior.

Em detalhado estudo recentemente concluído, o Centro de Pesquisa da Fecomércio-PE, em parceria com o Sebrae e contando com o apoio da CDL local, realizou 1.321 entrevistas na cidade, no mês de outubro. Este enorme esforço foi em grande parte motivado pelas dificuldades enfrentadas pelo varejo de Santa Cruz, quando teve sua imagem arranhada por acontecimentos recentes. Há muito que aprender sobre a atividade econômica de Santa Cruz no estudo realizado, mas o que chama especialmente a atenção é a resposta do varejo da cidade às adversidades provocadas por um acontecimento que poderia ter tido conseqüências demolidoras. Santa Cruz não está nem poderia estar imune à redução do ritmo de crescimento da economia nacional. No comércio tradicional, as expectativas predominantes são de que as vendas serão menores que no ano passado, um resultado que é coerente com os levantados em outras cidades do Estado. Trata-se de um desempenho esperado em vista que no final de 2010 a economia apresentava forte crescimento, enquanto que no fim deste ano se registra uma desaceleração da atividade econômica.

O que surpreende são os resultados obtidos no Moda Center. Aquele que deveria ser o grande prejudicado com o arranhão na imagem do Polo tem uma visão muito otimista das vendas de fim de ano. Bem mais da metade dos empresários acreditam em faturamento maior, pouco mais de um terço deles que admitem queda. Segundo a metodologia da Fecomércio-PE estima-se um aumento no entorno 8,5% nas vendas do Moda Center este ano, em relação a 2010, um ano de resultados excepcionais. Alem do mais, embora as expectativas dos empresários do comércio tradicional e do Moda Center divirjam em relação ao desempenho no fim do ano, elas são convergentes quanto ao que esperam para o ano de 2012. Em ambas as áreas é maior que 85% o percentual dos que projetam vendas maiores que em 2011. Além de empresários otimistas, a pesquisa encontrou compradores seguros da qualidade dos produtos locais e convencidos da competitividade da área em preço e serviços.

*Josias Albuquerque – Presidente do Sistema Fecomércio-PE

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